Capítulo
27: Pesadelos
Seuz
Várias cenas passaram na minha mente, do
meu passado, de coisas que não compreendi muito bem, como se eu estivesse vendo
o futuro.
Havia chegado a um corredor escuro, com
uma porta branca no final dele, com uma maçaneta muito estranha, e percebi que
na verdade era um olho vivo, pulsando e me observando.
Eu girei-a e entrei na porta, com minha
mão molhada com água de olho (ou lágrimas, não sei dizer o que é essa água que
fica no nosso olho).
Era um lugar com uma escadaria, que levava
a uma cela com uma idosa presa em correntes gigantes, que prendiam seus braços
e pernas.
-Um ser...
-Jovem o bastante para poder melhorar
ainda mais...
-Mas é bondoso demais, isso poderia
atrapalhar meus planos...
Eu não falei nada, somente fiquei quieto,
a deixando continuar a falar.
-Mas existe algo dentro de você, que pode
mudar isso, uma besta poderosa, com um mal inabalável.
-Olha senhora, eu não estou muito
interessado na sua oferta, então...
-Ainda não, você é bom de mais, por
enquanto...
O lugar que nós estávamos se distorceu e
se transformou em um outro lugar escuro, mas diferente do anterior, não
conseguia sentir o chão abaixo de mim.
Estava em um lugar muito mais sombrio do
que o anterior, em uma rocha estranha.
Nela, além de mim, havia um ser com um
chapéu estranho preto, magro e um pouco alto, de luvas e sapatos pretos, com um
sobre-tudo negro.
Quando percebi o que era, o fogo apareceu
em minhas mãos, e tentei dar um soco nele, só que meu punho simplesmente o
atravessou.
-Não pode me matar Seuz, estamos em um
sonho, além disso, eu sou imortal!
-O-oque? Quem é você?
-Já tive muitos nomes através das eras,
mas pode me chamar de Sr.D, governante e carcereiro do Vácuo.
-Você não é...
-Não, não sou da Rebelião, até porque meu
sobre-tudo é feito da escuridão do vazio e do desespero eterno, não de um
simples tecido.
-O que eu estou fazendo aqui? E o que é o
Vácuo?
-O Vácuo é uma prisão inter-dimensional,
feita para prender os piores seres já feitos no MultiVerso com poderes
inimagináveis.
-Eu sou o carcereiro
dele, garanto que nenhum deles tentem fugir ou fazer algo de que ameace o
MultiVerso – Continuou ele.
-Enquanto ao que está
fazendo aqui... Um dos prisioneiros pediu uma conversa com você.
-Qu-quem?
-Você verá, irei ficar
aqui, para caso ele tente fazer algo contra você, Seuz.
-Como você sabe meu
nome?
-Eu sou onisciente, sei
de tudo!
Em outro lugar da rocha
em que estávamos um ser parecido comigo surgiu ao meu lado. Bom, ele era
praticamente o oposto, e era realmente
o meu oposto.
Ao invés de ter cabelo
preto como o meu, ele tinha um cabelo extremamente branco, não sei se era por
causa do tempo em que ele estava ali, ou se ele era assim mesmo.
Suas roupas também eram
o oposto, eu geralmente usava roupas discretas, mas ele tinha uma roupa roxa
que dizia “A Verdadeira Paz Vem Com Extermínio MultiVersal”, e com calças azuis
rasgadas em algumas partes.
Seus olhos eram totalmente
brancos, mas tinha certeza que ele estava me analisando.
-É, você é bem
diferente dos anteriores, essa forma sua... Ahhgn, me da nojo.
-Desculpe, mas quem é
você?
-Ah, esqueci de me
apresentar! Meu nome é Fill, prazer em te conhecer, Seuz!
Seu jeito de falar e
sua voz pareciam a voz de um louco, e sua expressão, era de como quisesse me
matar neste exato momento, se não fosse pelo Sr.D, que estava no canto
esperando.
-Por que você foi
preso?
-Ele foi preso por
milhares de motivos, além de ter um poder absurdo quando vivo e usa-lo para o
mal, e quando morto atormentava o sonho dos mortais e matava-os para roubar almas
para voltar à vida – Disse o Sr.D.
-Ele é um fantasma?
-Na verdade, sou um
demônio de sonhos, não é uma coisa que posso me orgulhar, mas serve para algo
pelo menos – Disse Fill.
-O que você quer de
mim?
-Um aviso, você vai
descobrir coisas chocantes, além de sofrer uma traição de um de seus amigos.
Parei para pensar um
pouco, se acreditava no que ele falava ou não, então fiz uma pergunta a ele:
-Por que esta me avisando?
-Por quê? Bom, espero
que você não fique louco, se não eu nunca vou voltar à vida!
-Você deve viver –
Continuou ele - assim, posso voltar ao mundo mortal, fugir desse inferno
chamado de Vácuo!
-Eu não vou te ajudar a
sair daqui – Eu disse, e depois cruzei meus braços.
-E quem disse que eu
preciso da sua permissão? Eu irei sair daqui, com ou sem sua ajuda...
Fill e Sr.D se
desmaterializaram na minha frente, assim como todo o Vácuo sumiram, e me vi
deitado em um lugar dourado, como uma prisão.
Me levantei um pouco
tonto, depois de ter saído daquele lugar estranho um lugar totalmente dourado
era normal, creio eu.
Ali era como um templo,
com um gigantesco tamanho que era não deu nem para notar o homem que estava
ali.
Ele tinha como roupa um
sobre-tudo verde e marrom completamente misturados, um óculos preto cobrindo
totalmente seus olhos, e um cabelo que parecia o céu, azul com coisas brancas,
provavelmente nuvens.
-Quem é você?
-Hmm, ele se apresentou
a você como Sr.D, então... Acho que pode me chamar de Sr.B.
Mais uma vez um cara
estranho de manto apareceu em minha frente, como se eles fossem alguma doença
na minha mente, infestando meus sonhos.
-Espera, exatamente...
O que são vocês?
-Demoraria muito para
explicar, mas somos praticamente os mestres do MultiVerso, nós os controlamos.
-N-nós? Existe mais de
dois?
-Sim, existe quatro de
nós, cada um com seu Reino de controle.
Não entendi muito do
que ele estava falando, mas eu deixei para lá.
-Não se preocupe, seria
difícil de você entender mesmo, seria complicado de mais.
-Como vocês...
-Nós somos os seres
mais poderosos de todos, somos oniscientes, onipresentes e onipotentes, quer
dizer, sabemos de tudo, estamos em tudo e temos o poder de tudo.
-E onde estamos?
-No lugar mais próximo
de você, sua mente.
-Minha mente?
-Sim, ela reflete sua
mente e personalidade, como você é bom, ela reflete o que tem de melhor em
você.
-Cada um tem uma mente
diferente?
-Óbvio que sim! Mas
quase ninguém do MultiVerso consegue entrar neste lugar.
-Por quê? – Eu disse,
mesmo sabendo o provável motivo da resposta.
-Como você possui Orgí,
o Primeiro dos sete daimonas a ser criado, pode acessar sua mente e, hmmm como
posso dizer, “conversar” com ele.
-E onde ele está?
Então ele levantou seu
braço e estalou seus dedos, e a parede dourada atrás dele se tornou grades
gigantes douradas, com um portão gigantesco no meio dele.
Um rosnado surgiu e com
ele uma tempestade de vento se formou nos jogando contra o portão.
Tive que me segurar em
uma das colunas perto de mim para não sair voando, enquanto o Sr.B estava
apenas parado no mesmo lugar em que ele estava, somente com seu sobre-tudo
voando para trás dele.
Ele estendeu sua mão, e
uma parede branca surgiu impedindo a passagem do vento.
Uma risada estrondosa
passou pelo salão, uma voz antiga e pesada, tão pesada que pedaços de ouro do
teto caíram no chão, rachando-o.
-Eu sabia que você era fraco, mas não aponto
de sair voando por causa de um bocejo.
Depois das grades, só
consegui ver a escuridão, nenhuma forma de um ser parecido com um daimonas ou qualquer
coisa.
Então barulhos
estrondosos começaram a aparecer, e pude sentir uma presença maligna se
aproximando, e então pude ver seus olhos, pareciam como um de um dragão,
vermelho com algumas partes amarelas nas bordas de seu olho, e com uma listra
preta no meio do olho.
Quando o olhei, vi o
mesmo bicho que havia aparecido quando eu e Cebolinha estávamos na caverna
surgiu em minha frente, então todos que conhecia estavam mortos no chão, e...
Então eu ouvi um estalo.
Estava de volta ao
salão dourado com Sr.B parado me olhando, enquanto o daimonas provavelmente
estava rindo de mim, ou algo assim.
-Não olhe novamente nos
olhos dele, Orgí é conhecido como Vislumbre da Morte, geralmente seus inimigos
morrem somente de olhar a seus olhos, que proporcionam ao infeliz o vislumbre
de todos seus piores medos juntos, que o deixaria louco.
-Como eu...
-Eu o tirei de lá, mas
futuramente você também poderá ser capaz disto.
-Por que esta me
amostrando isso?
-No futuro, você
precisará dele.
-Eu não estou
entendendo.
-É, você é novo demais
para isso, acho que seu tempo aqui já acabou, é melhor você voltar ao seu mundo
– Disse o Sr.B.
Ele estalou seus dedos,
e a parede dourada que estava antes escondendo o daimonas abaixou novamente, e
o lugar começou a se desmaterializar e só sobrou eu e Sr.B.
-Até breve Seuz, eu
espero – Disse ele se virando de costas para mim.
-Espera! Como eu ainda
estou vivo se antes o velocista havia quebrado os ossos do meu corpo? Eu tenho
algum poder especial que não sei?
Ele somente virou sua
cabeça, e disse a mim:
-Não, você não tem, seu
daimonas te salvou, curando imediatamente todos os ossos, você desmaiou por
causa da dor do processo.
-Mas por que ele me
salvaria?
-Simples, se você
morrer em combate, ele também morrerá.
Então ele se desmaterializou
em minha frente, e eu caí em na escuridão, que fechou os meus olhos.
Nesse momento que meus
olhos abriram, eu vi em meu quarto na casa em que morávamos antes de eu
conhecer Cebolinha e formos embora procurar os outros Guerreiros.
Everaldo estava sentado
na cadeira perto da minha cama, dormindo com uma revista no colo, provavelmente
esperando até eu acordar.
Criado por Sr.B
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