Capítulo
29: General
Seuz
Nós voltamos para a superfície com Helena
aos tropeços na escada e eu a ajudava quando ela caía, até subirmos de volta.
O Sol estava caindo no céu e a noite
estava caindo na floresta.
Procurei algum sinal de Everaldo ou Cebolinha,
mas não havia nada, somente uma trilha vermelha indo para dentro da floresta.
O pânico surgiu de imediato para saber o que
possa ter acontecido com eles.
A trilha era aparentemente de sangue, e ia
à direção a minha casa, provavelmente indo pegar os outros.
Tinha certeza que alguém da Rebelião havia
nos encontrado, mas eu não queria pagar para ver o que ele iria fazer.
-Helena, temos que correr para minha casa,
e rápido.
O único jeito de chegarmos mais rápido era
com o teleporte, e estiquei minha mão para ela.
Um pouco tímida, apertou com sua mão
quente firmemente, e nos teleportamos.
. . .
O lugar estava em completo caos. Os
animais estavam correndo de desespero, alguns para não serem pegos pelo fogo e
outros tentando apagar o fogo neles.
A casa estava envolta em chamas, todas as
lembranças boas que tive ali passaram na minha mente por um segundo, até
perceber o verdadeiro problema.
Nos campos de milho, Everaldo estava
amarrado em um tronco de árvore que parecia que havia sido tirado com as mãos.
No lado dele Cebolinha estava preso na
língua gigante de Lick, parecendo que estava sendo esmagado por ela.
Diana e Raynna estavam amarradas juntas em
cordas com a boca coberta por um pano preta para silenciar elas, sendo vigiadas
pela mulher Meta-Morfa e pelo velocista.
Misó estava ajoelhado no chão com um olhar
pedindo ajuda e de medo, como se tivesse revivendo memórias do passado, e
diante dele estava o mesmo homem que apareceu na invasão do reino.
Na frente de Everaldo, estavam três
homens, um que reconheci que estava junto com Lick em Rainbow City, Deivus.
No meio estava um homem com o sobretudo da
Rebelião, com cabelo marrom, falando algo para Everaldo. No lado direito dele,
estava uma pessoa que eu não esperava lá, Joaquim em pé ao lado deles.
-O que esta acontecendo ali? – Perguntou
Helena.
-Eu não sei – menti – Temos que nos
aproximar para saber o que eles estão falando.
Deitamos no chão e nos arrastamos para
perto deles, tentando não sermos notados por eles.
-... se não você irá ser torturado,
entregue-nos o kate do Orgí, e sua vida será poupada.
-Eu...não... – disse ele falando devagar,
como se tivesse morrendo por dentro -...vou...
O homem do meio levantou a mão direita, e
Everaldo foi puxado para baixo, fazendo força contra a corda e marcando sua mão
com sangue.
Antes que pudesse fazer algo, Joaquim
olhou por cima do ombro na nossa direção, pegou a arma e atirou em Helena.
-Acharia que ficaria atrás de nós e não
iríamos notar? – Disse Joaquim.
-Você, você nos traiu! – Gritei para
Joaquim enquanto tentava ajudar Helena.
-No mundo dos negócios existem traições
garoto, não me leve a mal, mas eu não tenho muito o perfil de bonzinho.
-Chega de conversa, você foi pago para nos
informar, nada mais – Disse o homem do meio.
O ombro de Helena estava sangrando, e se
eu não estancasse o ferimento a coisa iria piorar, e muito.
Mas se eu fizesse algo provavelmente
Joaquim, Deivus ou o homem do meio faria algo contra mim, minha única opção era
libertar algum deles.
Analisei a situação, e vi Cebolinha se
posicionando para pegar a espada no cinto dele (como um sinto de utilidades do
batman, só que ele servia como um porta-espada), e faíscas de fogo saíam das mãos
de Everaldo.
Eu tinha que arrumar tempo para eles
conseguirem fugir, e fiz uma coisa que na época, parecia muito legal.
Eu assobiei bem alto, e minha fênix ficou
de prontidão em uma das árvores esperando minhas ordens (sim, provavelmente vocês
devem estar se perguntando, “Desde quando ela pode fazer isso?”, bom eu vou
lhes explicar, toda vez que Seuz tinha um tempo livre ele treinava com sua fênix,
e ele já havia feito um progresso).
Corri para o homem do meio e nada ele fez
para tentar me impedir, e pulei para cima dele. Neste momento Cebolinha havia
finalmente soltado sua espada e ela caiu no chão, e usei minha telecinese para
puxar a espada contra ele.
Ao invés de ele tentar se defender ou se
esquivar, ele levantou sua mão esquerda e me paralisou em pleno ar. Não era uma
paralisação completa, eu ainda podia mover meus olhos e pensar, mas o meu corpo
parecia que estava forçado de baixo para cima, mas a gravidade estivesse me
empurrando com mais força para baixo, me prendendo no ar.
-De nada adiantará tentar se mover, a
gravidade esta sob meu controle.
Minha boca conseguia se mover ainda, e
isso era uma coisa boa.
-Não tenho tempo para isso, General –
Falou Joaquim – Eu quero meu pagamento logo antes que os Viajantes me
encontrem.
-Terá seu dinheiro logo, assim que extraímos
os daimonas deles.
Aproveitei enquanto ele estava distraído com
Joaquim, e assobiei para Phoenix (Sim, a fênix também já tinha um nome) ir
soltar as cordas de Cebolinha, e o ponto falho do General foi esquecer de mim e
me ignorar, e me soltar.
Agora ele não tinha chance de se esquivar,
e quando estava prestes a cortar seu braço, uma espada de prata se chocou
contra a espada de sangue e se quebrou, mas deu uma chance do General fugir.
-Essa espada foi forjada por um dos
maiores ferreiros da nossa dimensão! – Falou com raiva Deivus – Você vai pagar
por isto, Orgí.
-Venha lutar comigo então se você é forte –
Desafiei Deivus.
Ele olhou para o General, e o General
acenou sua cabeça, aprovando.
Lick soltou Cebolinha inesperadamente, e
pegou as barras de ferro das costas de Deivus e as enfiou no chão formando um
quadrado.
Deivus se teleportou para minha frente e quase
me socou se não eu não tivesse usado a espada para bloquear o soco.
Ele nem se moveu e nem sentiu dor, somente
continuou empurrando a espada contra mim.
Espada contra mão, enquanto estávamos na
disputa de força ele chutou a minha barriga me empurrando longe deixando minha
espada cair.
-Parece que Deivus não vai precisar de
ajuda – Disse o General – Íroas, Lick, Sprinter e Galá, vamos embora.
Todos
eles saíram andando em direção a Rainbow City, menos Sprinter (O velocista) que
foi correndo, obviamente.
Mas antes que Íroas (o homem da ilusão da
cidade de Diana) fosse embora, Cebolinha entrou em sua frente com ódio em seus
olhos.
-Minha briga não é com você, Cebolinha.
-Você não vai sair daqui vivo, pai.
Criado por Sr.B
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