Seuz Adventures - Capítulo 40

Capítulo 40: Quem é ela?


Seuz

O clima entre nós seria de completo silêncio se não fosse à música do elevador que me irritava um pouco.
Quando estávamos próximos do terraço o elevador repentinamente parou entre o 118º e o 119º andar.
Em uma das paredes do elevador havia um espelho, e ao lado da porta os botões para escolher os andares à direita, desde até o teto até o chão.
Aproximei-me da porta do elevador e coloquei meus dedos entre as brechas da porta, e em seguida fiz minha mão se aquecer até a parte de cima da porta derreter.
A parte derretida dava para uma pequena abertura ao 119º andar, e de onde vinha uma grande quantidade de luz e barulhos estrondosos.
-Helena, vamos ter que passar por esse buraco no elevador. Vêm, eu vou te dar pezinho para subir.
Ela ficou me vendo com olhos estreitos parada ali, com braços cruzados, como se eu estivesse com algum problema.
-Algum problema?
-Eu estou tentando ver se você é tarado ou só sem noção mesmo.
-Co-como assim, tarado?
Ela olhou para baixo, especificamente sua roupa, uma camiseta cinza escura que com certeza não era do tamanho dela, já que estava folgada demais.
Ela usava uma saia preta que ia até seus joelhos, e então percebi o que ela quis dizer.
-Na-na-não é isso que você está pensando, eu não notei...
-Oh, tudo bem, então me deixe te levantar – Falou ela descruzando os braços, sem nenhum tipo de constrangimento por antes.
Ela segurou-me pela lateral da barriga e empurrou-me para cima.
Coloquei minhas mãos no chão que estava sobre mim e me arrastei na brecha do elevador até ficar em pé no andar de cima.
Nele havia diversas montanhas de moedas douradas e prateadas empilhadas e espalhadas por todo o lugar, com notas de dinheiro nos cantos e sobre as pilhas de moedas.
Ouvi um barulho vindo de trás de mim, e vi Helena tentando escalar a brecha do elevador, mas ela não conseguia alcança-lo.
Agachei-me e estendi a mão para ela, ela segurou firme e a puxei para cima, trazendo-a para o andar.
-Então, para onde vamos agora?
Olhei para os lados procurando algo que pudesse ser a saída para o andar de cima, e vi entre as pilhas gigantes de dinheiro algo como uma trilha, que do fim emitia uma forte luz que piscava.
-Ali – Apontei – É o único caminho.
Ela assentiu e seguimos em frente.
Quando passamos pelo longo e estreito caminho, chegamos num lugar grande envolto de notas verde-escuras de dinheiro que formava um circulo, exceto em um no lado esquerdo, em que a parede era a do prédio com uma enorme janela, em que eu conseguia ver o começo de uma chuva com alguns raios e trovões no céu.
Havia quatro “túneis” que levavam para diferentes lugares que estavam escuros demais para podermos ver aonde dava, e ficamos parados ali vendo uma opção para continuarmos.
-Aquele – Falou alto ela repentinamente, apontando para o túnel mais à nossa esquerda.
-Certeza?
-Sim, seguindo em frente vamos encontrar uma escada de emergência, e lá em cima eu sinto a presença de duas pessoas.
-Como sabe?
Ela se virou com um olhar sério para mim.
-Pretendo responder sua pergunta um dia, quando souber a resposta.
Fomos juntos ao túnel, e enquanto andávamos pensei sobre o que ela disse.
. . .

Chegamos no terraço por uma rampa que vinha do andar de baixo, feita de concreto. Uma chuva fina formou pequenas poças d'água ali, uma área gigantesca que poderia abrigar um rebanho gigantesco de elefantes.
No centro do terraço havia um heliponto amarelo, coberto por uma fina camada de água da chuva. Havia também postes ali , que estavam se apagando pêlo amanhecer.
O ar rarefeito estava me dando náuseas e para Helena também, mas estávamos mais atentos com quem vimos ali.
Sentada na ponta do prédio correndo o risco de cair dali, uma mulher com seus cabelos morenos curto balançando no vento com chuva, com as pernas no ar, e sentada sobre o seu manto da Rebelião.
-E-ela, ela... - Antes que terminasse, a Líder colocou uma de suas mãos sobre uma poça d'água a esquerda dela e a água em baixo de Helena aumentou o volume e prendeu-a em uma bolha de água, sufocando-a.
Enquanto Helena se agonizava dentro da bolha, a Líder se levantou e andou até o meio do heliponto, olhando em nossa direção.
-Deixei bolhas de oxigênio para ali dentro, ela não irá morrer - Seus olhos estavam diferentes, invés de ambos estarem totalmente brancos, o esquerdo era castanho escuro.
Ela me analisava atentamente, atentamente, e percebi que ela estava com um comportamento diferente do que vi antes, bem mais calma e observadora, com uma expressão séria.
-Você é corajoso, eu admito - Ela falou com um tom de surpresa, parecendo triste - Vir aqui sem praticamente nenhum auxílio, com risco de encontrar outros membros da Rebelião, oras, quer morrer garoto?
-Não vou cair fácil, eu estou aqui para cumprir um objetivo - Falei com convicção.
-E qual seria seu objetivo?
-Achar você, e vingar minha família - Gotas d'água subiram e formaram uma onda de água que se envolveu em mim.
Ela arqueou uma sobrancelha, estendeu seu braço direito e a minha água foi sugada para a mão dela, e entrou pelo espaço entre as células.
-Vingança não é um motivo para algo, vai mata-lo por dentro - Ela abriu sua mão e água saiu dela, se solidificando em forma de uma foice.
-Antes de morrer, me responda uma pergunta - Ela surgiu em minha frente tentando me rasgar ao meio, mas desviei indo para trás.
-Você vive pelos vivos, ou pelos mortos?
A Líder bateu a haste da foice no chão, e pude ver ao longe nuvens de tempestade ao longe vindo em nossa direção.


Criado por Sr.B

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