Capítulo
43: Não Parece, Mas Deveria Ser um Conselho
Seuz
Eu só sentia uma coisa, frio. Novamente
estava eu, deitado no chão com a sensação de estar sendo observado, mas dessa
vez, por várias pessoas.
Levantei-me e reparei que os ferimentos em
meu corpo sumiram e que a sensação de cansaço se foi.
Eu estava em um lugar extremamente sombrio
e grande, e ao longe conseguia sentir uma emanação de gigantesca.
Doze pares de olhos gigantes de diferentes
cores surgiram no breu da escuridão, todos me olhando.
-Então, esta é a criança portadora de
Orgí? – Disse uma voz grossa e rouca, como a de um idoso que já lutou em várias
guerras e agora o que resta dele é somente sua voz arranhada.
-Pelo visto, prevejo que no futuro ela
será de sua posse, Sapucaí. Por acaso planeja algo que não saibamos? – Disse
uma voz tenebrosa, com total segurança no que dizia sem nenhuma preocupação.
Surgindo do vazio ao alto, algo parecido
com peixes em cores dourada caiu na frente de um par de olhos totalmente
negros, e uma mão envolta em sombras os pegou para si.
-Oras, se Elminho pode conjurar sua comida
nojenta aqui, por que não posso trazer a minha também? – Disse uma voz esnobe,
com um tom de desprezo pelos outros ali presentes.
Um par de olhos, amarelos como o Sol,
falou para a voz tenebrosa, ignorando o comentário anterior.
-Seja bem-vindo ao Conselho dos Doze –
Mais peixes dourados apareceram, e agora juntos aos peixes uma xícara de café e
uma bola de vôlei de praia – Quantas vezes já foi dito que não se deve trazer
essas coisas para cá? – Disse ele piscando os grandes olhos lentamente, como se
achasse que não teria efeito o que ele disse.
Ele olhou novamente para mim, assim como
fizeram outros, mais ou menos cinco pares de olhos.
-Seuz Vlaghit, se aproxime de nós – Disse
à voz que aparentava ser quem colocava a ordem ali.
-Você está aqui pêlo que você fez, espero
que saiba disso.
-Eu – Engoli em seco – estou encrencado?
Senti que eu estava mais entretendo eles à
estar ali sendo ajudado.
-Não, ao contrário, estamos aqui, pois
devemos a você um pequeno favor, pêlo que você fez.
-Agradecer? Como assim?
-Nós, Deuses ao nosso nível, não temos
tempo para tratar de assuntos dos terrânos e nem dos elementares, nem mesmo o
das populações e suas respectivas cidades.
-Porém – Continuou o par de olhos
dourados, Sapucaí – No seu mundo, há um ser que graças a você, estamos
despreocupados, por enquanto.
-Eu entendo, mas que tipo de ser vocês
estão falando?
-Não podemos dar-lhe mais informações do
que você sabe, caso ele realizasse aquilo que planejava seria um enorme
problema para nós.
-Se me permitem, por que não podem me
dizer o que é, se fui eu que acabei com o problema?
-E além disso, vocês são Deuses, por que
não poderiam eliminá-lo, se ele era uma ameaça?
Aqueles que estavam prestando atenção na
conversa se entreolharam rapidamente e ambos observaram a mim de novo.
-Isto não é o importante agora – Disse o
Deus com a voz tenebrosa – Por agora, peça quaisquer desejo e realizá-lo-emos,
como forma de gratidão, juro solenemente sobre os 4 Grandes que, será feito o
que foi dito por mim.
Antes de eu pensar em algo que eu poderia
ter pedido, ouvi algo que interessante dos outros Deuses que estavam de
bobeira, não prestando atenção na nossa conversa.
-...assim, finalmente ele foi pego e será
levado para o Nível 2 do Jurucaru, o rato estava junto com um garoto caído no
chão, creiamos que ele foi o culpado por isto – Disse uma voz segura, firme e
um pouco arrogante, e reparei que ele era o único dos 12 Deuses que um de seus
olhos estava coberto por algo escuro, só estando amostra um deles.
Uma risada estranha veio de um dos outros
pares de olhos, olhos marrons escuros e uma voz um pouco fina, mas sentia que
os outros Deuses tinham certa relutância com ele, assim como eles tinham com o
Deus dos peixinhos dourados.
-Por mim, eu falaria para um de vocês o
torturassem, afinal, ele é um desertor, merece ser castigado.
-E por que tu mesmo não o castigas? –
Disse uma voz feminina, que vinha de olhos pequenos azuis e possuía um tom
realmente de duvida, não de sarcasmo ou algo assim.
-Você sabe muito bem...
-Eu já me decidi sobre o que eu quero –
Falei o mais alto possível para interromper a conversa dos outros Deuses.
Me virei na direção dos olhos com a voz
tenebrosa e falei à ele:
-Você disse que vocês me concederiam “quaisquer
desejo”, no plural, então quer dizer que eu posso pedir mais de um, certo?
Agora todos os Deuses estavam quietos e
prestando atenção na conversa, observando àquele que me direcionei, olhando-o
atentamente.
-Nã-não, você só tem direito a um dese...
-Mas não foi você mesmo que jurou, que
vocês, Deuses, deveriam realizar o que foi interpretado em suas palavras?
Eu o havia deixado em uma crítica. O Deus
agora deveria obedecer e me conceder mais de um desejo pela escolha errada de
palavras, algo que ele não quer fazer, mas ao mesmo tempo, sinto que esse
juramento diferente não seria desfeito facilmente.
Seu olhar mudou de tédio para raiva, raiva
por tê-lo ludibriado na frente dos outros Deuses e ser obrigado a fazer o que
eu desejasse.
-O
que desejas então, criança kate? – Disseram os 12 em uníssono.
Olhei um pouco para baixo tentando evitar
contato visual com eles, mas disse com firmeza e confiança sem temê-los.
-Quero que vocês libertem o procurado
pelos Viajantes do Tempo, Joaquim, e que tragam de volta...
-Não – Disse uma voz masculina.
Olhei para os lados procurando quem disse,
e vi o Deus com os olhos dourados me observando diferente dos outros.
-Você não pode trazer seu mestre de volta,
é uma lei que nem mesmo nós, Deuses Dimensionais, podemos quebrá-la.
-É claro que podem! – Ali, eu não havia
percebido que eu tinha gritado – Vocês são Deuses afinal, podem fazer aquilo
que quiserem! – Me ajoelhei e olhei para o chão, tentando ignorar o que ele
dizia.
-Não, nós
não podemos traze-lo de volta, mas existe a possibilidade de você conseguir,
mas demoraria anos para alcançar essa opção.
Água escorria no meu rosto, e enquanto
chorava ali no chão, uma frase me veio a cabeça.
-Mas,
você não tem nenhuma afeição por nada, nem mesmo um objetivo?
-Não,
não consigo ser tímida como você acaba de ser, não consigo ser vingativa como
Cebolinha é, não consigo ser extrovertida como Raynna é, poucos são meus
sentimentos – Disse Helena.
-O...que
aconteceu para você ser assim? – Perguntei depois de um minuto de silêncio no
elevador.
-Eu
nasci assim, vi coisas que ninguém viu Seuz, a insanidade é algo que não se
deve brincar, pois qualquer um pode sofrer nas mãos de um louco, mas poucos
podem conviver com um.
-Eu... – Limpei meus olhos vermelhos com
meu braço e me levantei, olhando profundamente para o Deus de olhos dourados.
-...quero que dêem sentimentos a Helena!
Quero que a devolvam o que foi tirado! Estes são meus desejos!
-Saiba que não temos autoridade sobre os
Viajantes, criança – Disse uma voz feminina, o tom de sua voz parecia que
estava se segurando para não rir – Mas eu prometo que nós vamos ter uma
conversa com eles, tentando negociar sobre a liberdade de seu amigo.
-Quanto a sua amiga – Disse um Deus com
uma voz infantil, aquele que comia peixes enquanto conversávamos - relaxa,
assim que você voltar pro seu mundo, ela vai começar a despertar sentimentos,
com o tempo, ela vai ser uma mortal como vocês.
-Co-como nós? O que quer dizer?
Os outros Deuses olharam para o que acabou
de dizer com reprovação, mas também com um certo medo.
-Isso você irá descobrir sozinho, nos
encontraremos em breve, Seuz Vlaghit – Disse o Deus de olhos dourados.
Então acordei.
Criado por Sr.B
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