Capítulo
5: Um Deus também tem problemas
Seuz
2 de setembro
Escola de
Sapucaí, Dimensão 3
Acordei num lugar consideravelmente
escuro, deitado numa fileira de macas hospitalares perto de uma janela gigante
coberta por uma cortina branca como lenços umedecidos.
Por uma fresta na cortina pude ver o
Jardim da Escola, calmo com poucos pássaros e nenhuma alma viva, o que
significava que estava na parte frontal dela.
Virei-me para o lado em que estava a porta
e nela vi a presença de um senhor de cabelo escuro que batia em seus ombros,
com olhos dourados e uma roupa verde de hipsters.
-Nunca conheci Everaldo, mas acho que ele
devia ter grande paciência para lidar com você, sem querer ofender, claro –
Disse o homem.
-Você conheceu Everaldo? – Eu disse com
certas esperanças.
-Não, criança, eu sou uma divindade, sei
de tudo.
-Ah – Falei com certo temor dele, mas com
mais decepção.
-Não leve a sério tudo que as pessoas
dizem, a ilusão às vezes parece uma verdade tentadora. Ah, eu sou uma divindade
sim, mas isso não quer dizer que sei de tudo! - Ele riu, uma risada calorosa e
de uma pessoa idosa, achando graça da minha ingenuidade, mas não senti raiva
dele por isso.
-Eu...
-Quer fazer varias perguntas não é? Ah, me
desculpe, tenho o habito de cortar pessoas, pode perguntar.
-A primeira pergunta, como é que essa
escola é imensa sendo que ela é tão pequena vista de fora?
Ele sentou na beirada da cama ao lado da
minha e cruzou suas pernas.
-É uma magia que permite ampliar o espaço
em determinado lugar de forma que o usuário queira, nem ache que poderá usar
algum dia.
-Bom, então por que...
-Não tem mais perguntas, certo? Então me
deixe falar o que vim fazer aqui.
Ele colocou ambas as mãos sobre seu colo e
suspirou fundo, e logo em seguida disse:
-Creio que você estava lá no atentado ao
MTD da 12ª Dimensão, e vim aqui deixar você a par das informações que já
coletamos.
-Nossas fontes dizem que o ataque foi
devido a você estar lá Seuz, e acho que sabe o motivo.
-O daimonas? – Perguntei, sabendo qual
seria a resposta.
-Sim, o denominaremos de Orgí, ok? Já que
esse é o nome dele.
-Ainda não sabemos quem é o responsável,
mas temos certeza que ele possui algum espião entre os alunos dessa escola,
talvez até mesmo dentro de sua sala.
Sapucaí ficou parado ali, me observando
atentamente com seus dedos sobre a boca, parecendo que iria fazer um jutsu.
-Ah, não tenho ideia de quem possa ser o
espião – Eu disse após entender que ele queria uma suspeita minha.
Ele suspirou e desfez o “sinal” de mão e
suspirou pesado, com certa tristeza ao ouvir minha resposta que somente irá
dificultar o seu trabalho.
-Bom, nenhum dos outros alunos sabem que
você possui Orgí selado em seu corpo, somente que você fez algo importante
donde veio – Disse Sapucaí relaxando seus ombros – E isso é crucial para a investigação,
talvez o espião possa demonstrar que sabe da existência do daimonas em você.
Sapucaí jogou uma pasta com vários papéis
nela, puxei somente um deles e vi a imagem de uma garota de cabelos rosa
parecendo chiclete, com olhos de cor avermelhada. De baixo da imagem havia
informações sobre ela, como tipo sanguíneo, pais, poderes e outras coisas.
-Esses papéis são uma ficha de todos os alunos
da sua sala, alguns são interessantes que você pode até passar horas re-lendo
as fichas deles, se você gosta de ler, é claro.
Um alarme estrondoso tocou duas vezes
seguidas com uma pausa entre eles antes de Sapucaí se levantar e ir até a
porta. Ele parou e me avisou para ir logo ao meu dormitório pegar meu material,
porque eu teria uma aula complicada agora, a aula do professor Pingu.
Criado por Sr.B
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