Seuz Adventures - Capítulo 44

Capítulo 44: Despedidas


Seuz

Eu estava deitado numa maca coberto com um fino cobertor branco cobrindo a maioria do meu corpo, com somente meu braço direito para fora da coberta, caído na cama ao lado.
Tirei bruscamente o lençol de cima de mim com o braço e o que vi não me chocou tanto, mas sim muito.
Meu outro braço estava com agulhas presas a soros por todo ele, e só de olhar isso me deixava tonto.
Nas minhas pernas não havia muitos ferimentos graves, estava ralada em algumas partes, mas nada preocupante.
Na parte direita do meu tórax, um buraco nem tão grande, mas nem tão pequeno se destacava ali, com um enorme tubo tapando-o por completo, jogando um líquido estranho que quando se encontrava com o sangue, parecendo o encontro da água com óleo.
Olhei para o lado e havia uma janela entreaberta com uma vista relativamente bonita, mas estranha ao mesmo tempo, com uma chuva fina sobre a cidade e dois prédios grandes cada um de ao lado da lua, só que a frente da lua deveria ter o maior prédio da cidade, da LIVE Enterprises.
Uma brisa entrou na sala, passando pela maquina que media meus batimentos cardíacos até a porta, que agora estava aberta, com uma enfermeira entrando.
-Sr. Hã... – Ela conferiu de novo meu prontuário em sua mão – qual seu sobrenome, filhinho?
-Eu não... – “Espero que me entretenha, Seuz Vlaghit!” – sim, eu tenho, Vlaghit.
Ela anotou na prancheta meu sobrenome, e falou novamente comigo, vindo ao lado da maquina de batimentos cardíacos, desligando-a enquanto falava.
-Seu quadro quando chegou aqui estava crítico sem nada na parte em que há um buraco no seu corpo agora, mas não sabemos como, ela se regenerou sozinha e só precisamos agora manter o estado estável.
Ela se afastou e foi até a porta e antes de ir embora, disse:
-Você tem visitas.
Logo após ela sair, Cebolinha, Misó e Joaquim entraram no quarto e olharam normalmente meus ferimentos graves, com exceção de Joaquim que contorceu um pouco o rosto, provavelmente porque já os viram antes.
-Tudo bem com você – Disse Joaquim, que aparentava ser o mais amigável entre eles três, mas ainda assim mantinha certa distância.
-Sim, só estou com um tubo enfiado no peito, nada demais.
Um sorriso se surgiu no canto da sua boca, e cutucou Misó ao seu lado.
-Quer ouvir as boas ou as más notícias?
-Ambas – Respondi.
-Graças ao que você fez, saindo mais cedo do que nós, só conseguimos chegar a você quando o prédio já estava destruído.
-Caindo? – Perguntei olhando para o lado, ainda não acreditando nisso.
-Depois que os outros membros que sobraram da Rebelião souberam da morte da Líder, um deles enterrou ele abaixo com um só movimento de mãos, e foi aí que você conseguiu esse ferimento, uma pilastra se enfiou no seu peito.
-E...as boas notícias? – Perguntei a ele temendo se iriam mesmo ser boas.
-Vamos levar você para o enterro, acho que você quer ir, não é? – Ele falou ironizando.
-Claro que quero! Mas, posso ir nesse estado?
-Vamos levar a máquina junto com você em uma cadeira de rodas, é claro – Falou Joaquim.

. . .

Depois de um tempo, todos nós, Joaquim, Raynna, Misó, Cebolinha, Helena, e Diana estávamos indo a caminho donde Everaldo estava prestes a ser enterrado, só esperando nossas despedidas. Eu estava sendo levado na cadeira de rodas que Everaldo usava, sendo empurrado para o topo de uma montanha que fica atrás da cidade por Joaquim.
Misó estava ao lado de Joaquim carregando um caixote que estava conectado ao tubo do meu peito, mas ficou conversando com Raynna. Cebolinha e Diana andavam perto um do outro, ela tentava puxar papo com ele, mas ele só a ignorava seguindo em frente. Já Helena, estava andando a frente de nós, olhando para o céu, não ligando para a chuva caindo em seus olhos.
-Ei, me desculpe por tudo, ok? – Falou Joaquim para mim.
-Se desculpar com o quê?
-Você sabe. Se não fosse por eu ter traído vocês provavelmente Everaldo não teria perdido as pernas dele nem – Ele olhou para frente, com realmente tristeza em seus olhos.
-Você se arrependeu, isso basta. Mas, por que você fez isso?
-Eu queria tentar honrar meu avô que me deu esse relógio, além de me reencontrar com minha família – Ele falou com um olhar vazio, então não perguntei mais.
Chegamos à beira da montanha e um caixão com cor escura de marrom, e detalhes dourados de metal envolto na tampa.
Um vidro na tampa permitia ver a cara dele, uma cara sem expressão, mas com certo descanso nela.
-Alguém tem algo para dizer? – Perguntou Helena ao lado do caixão com quase nenhuma compaixão por ele, mas sim por nós.
Raynna estava limpando seus olhos de lágrimas assim como Joaquim, já nos outros, a tristeza assolava eles, mas um pouco menos em Cebolinha.
Helena olhou para mim, já que eu era o que mais havia vivido com ele, então esperava que eu tivesse algo para falar.
Joaquim me levou até ao lado do caixão, me deixando vê-lo mais de perto.
-Não sei para onde você foi e nem como se sentia nesses dias, não liguei muito para você antes, mas agora eu vejo a diferença que você fazia.
A chuva batia no caixão como um vidro se repartindo no chão, e isso deixavam o lugar um pouco mais deprimente.
-Obrigado por me criar e me aturar – Do meu olho direito uma lágrima desceu pelo meu rosto – velhinho.
Ninguém ali conhecia tanto Everaldo assim para falar dele, mas continuaram quietos por um minuto em respeito a ele. Depois disso, Cebolinha, Misó, Joaquim e Helena carregaram o caixão até o buraco cavado na terra, para finalmente deixa-lo.
Eles soltaram-no e ele caiu reto no buraco, fazendo um barulho estrondoso. Joaquim pegou uma pá que estava jogada ao lado e começou a jogar terra sobre o caixão.
Assim que terminou de enterrá-lo, pegou uma muda de árvore e a plantou ali, se afastou e ficamos observando ali por mais um minuto de total silêncio.
-E agora? O que vocês vão fazer? – Perguntou Raynna assoando o nariz.
Joaquim colocou seus braços atrás da cabeça juntando suas mãos, um pouco relaxado.
-Graças ao Seuz aqui, finalmente estou livre neste mundo, acho que vou fazer o que meu avô queria, me tornar um Viajante.
Misó disse que planejava viajar pelo mundo e tentar reverter a situação da marca negra em seu pescoço e Raynna insistia em ir com ele, e os três (Joaquim, Misó e Raynna) ficaram discutindo ali.
Helena foi embora junto com Diana logo depois dele ser enterrado, já que ela falou que estava se sentindo mal, com coisas estranhas acontecendo em sua cabeça, e Diana a levou embora para ajudá-la.
Cebolinha estava sentado à beira da montanha olhando para a cidade que iluminava a imensa escuridão da noite, com a chuva caindo em seu corpo.
-O que pretende fazer agora, você sabe?
-Sei, mas isso não importalá muito pala você.
-Qual é – Me aproximei dele empurrando o câmbio da cadeira que funcionava como setas apontando a direção, para onde eu apontava, ela ia , mas não me aproximei muito por causa do tubo e da caixa com o líquido esverdeado – não precisa me deixar no gelo assim, pode me contar, não vou falar aos outros.
Ele se virou para mim com um olhar impaciente, provavelmente desejando que eu não estivesse ali.
-Eu não quelo falar disso com ninguém, mais fácil fácil entender?
-Ah - Naquele momento fiquei sem ter o que dizer, e fiquei observando a paisagem quieto com ele.
-Aqui - Disse ele impaciente, entregando um bilhete de papel amassado, mas que assim que abri, reconheci a letra.
"Se estiver lendo isso, é porque provavelmente eu estou morto. Sim, eu já pensei nisso e nem queira saber quantas vezes. Fico me perguntando se você ficará bem sem mim, se sobreviverá, já que é quase um inútil.
Quero então, que você vá para uma Escola especial, lá você vai aprender a controlar seus dons, então por favor, não a abandone no meio do ano por motivos bestas.
Se vai dar mesmo ouvidos à esse velho aqui, atrás desse papel vai ter mais informações do seu destino de viagem.
Do seu pai, Everaldo."
-Obrigado por me entregar isso, Cebolinha. É realmente importante para mim.
-Não há de quê - Ele se levantou e caminhou para dentro da floresta na descida da montanha, mas o chamei antes que estivesse longe demais para ouvir.
-Ei!
O Guerreiro com a espada escarlate presa em suas costas virou somente sua cabeça para mim, esperando eu dizer o que eu queria.
-Nossa amizade não será destruída tão fácil assim, não é? Afinal, acho que ela irá ser tão resistente quanto uma pedra!
Ele se virou e continuou a caminhar, dando as costas para mim e ignorando meu comentário.
-A distância não vai desfazer nossos laços, Cebolinha.
Ele sussurou tão baixo que não pude nem saber que ele falou algo.
-Adeus, Orgí.

Fim da Primeira Temporada 
Criado por Sr.B

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