Seuz Adventures 2 - Capítulo 2

Capítulo 2: Bem-vindos, e cuidado para não morrerem nos corredores!


Seuz
1 de setembro
Escola de Sapucaí, Dimensão 3

A maioria das pessoas não se importou com o garoto, mas um grupinho de garotos e garotas o arrastou no chão para o meio da multidão.
-Para vocês da Dimensão 12, nós da direção da Escola pedimos sérias desculpas para os que ficaram lá um pouco mais e que graças aos Escritores ninguém se feriu no atentado. Ainda não sabemos quem foi o responsável por isso, e vamos nos comunicar com Marcelo para podermos investigar melhor.

Dos outros alunos que não estavam lá, murmúrios baixinhos entre eles diziam o quê poderia acontecer a eles, e perguntando à um garotinho pequeno o que aconteceu lá, e ele gaguejando respondendo à todos em tom de voz baixa.
-Creio que seja só esses avisos para vocês, arruaceiros - Disse o Deus olhando para um grupo de adolescentes de aparência terrâna (humana) que estavam olhando para o chão.
Revirando o olhar deles, o diretor voltou o olhar para a multidão de alunos e professores, encheu o peito e começou a falar como o tagarela dos seus amigos.
-Sejam bem-vindos, alunos! - Ele observava todos bastante, com uma certa cautela - Para os que nãome conhecem, eu me chamo Sapucaí , Deus Dimensional desta dimensão em quê estamos, obviamente. Espero que este ano seja proveitoso a vocês e que não tenhamos muitos, hã, "eventos", como no ano passado.
-Bota evento naquilo! - Disse um dos alunos mais velhos próximos de Sapucaí, perto da escada lateral à esquerda.
-Sim, sim - Ele os fulminou com os olhos - Assim como o atentado ao MTD, iremos dar continuação às investigações dos culpados da morte de Samarah.
Ele esfregou suas mãos, empolgado.
-Agora, vou dizer-lhes as regras, alunos novos, e aos antigos, a nova regra sugerida por um dos professores! 
Os alunos reclamaram alto, não exatamente gritando, mas alto como você repete delicadamente ao seu amigo algo que ele não ouvi umas dez vezes.
Sapucaí, para calar os alunos, simplesmente bateu palmas e um barulho como bomba bomba do atentado estorou, e todos se calaram, outros ficaram com os ouvidos tapados e de olhos fechados.
O Deus suspirou pesado, e nos disse as regras:
-Sejamos francos, não permitiremos qualquer ato de perversão, vinda de ambos os gêneros, ano passado foi o limite para muitos de nós, e agora proibímos qualquer tipo, entre namorados, amantes, e em nenhum lugar, caso pegarmos vocês através de denúncias ou de nossas próprias descobertas, correrão risco de serem expulsos!
Todos ficaram calados, e alguns com olhar de arrependimento. Fiquei pensando como o ano passado nessa Escola foi, e se eu estava arrependido ou aliviado de não ter vindo antes.
Ele citou as outras regras, básicas de qualquer lugar, e nos disse que caso tenhamos dúvidas sobre elas fossemos ver em um papel de avisos em nossos dormitórios. Eis o assunto polêmico. Os dormitórios.
-Novas instalações foram pensadas para vocês, dormitórios exclusivos que foram adaptados para serem modificados automaticamente com a vontade do dono. Foi uma sugestão de um estudante que se formou para os Caçadores, também já disse que são individuais, não?
Alguns ficaram aliviados, outros tristes ao saber dessa notícia, mas um ser gelatinoso (não consegui decifrar se era um garoto ou garota) deu um grito fino de empolgação, fazendo as pessoas ao redor dele rir.
Todos nós, pelo menos a maioria, quando voltou o olhar para Sapucaí, viu que ele não estava mais lá, e que um idoso de barba branca cumprida e uniforme cinzento de zelador estava no lugar dele com uma vassoura na mão.
-Primeiro as meninas! Subam logo essas escadas, fedelhas!
Todas as meninas ali presentes subiram a escada esquerda e seguiram-no para um corredor também à esquerda, admirando a imensidão da Escola ou conversando com velhas amigas.
Os professores que estavam com os alunos ouvindo as boas vindas de Sapucaí já haviam ido em bora, deixando no lugar a fórmula perfeita do mal.
Os garotos ficaram conversando e a juntaram em grupinhos, e reparei que o loiro choque havia acordado e se juntado a seus amigos arruaceiros. Não sabia se a presença de Sapucaí o fez ficar inconsciente daquele jeito, mas se fosse, eu gostaria que que tivessem ficado um pouquinho mais.
Fiquei parado em pé, sozinho, pensando no que exatamente eu iria aprender ali, se faria amigos ou o pior, se teria que fazer as chamadas "provas". Soube elas são assustadoras.
Num panfleto de regras que alguém havia deixado cair, havia os seguintes dizeres: "Após as 22:30, bestas são soltas para proteção, não andem desacompanhados nos corredores!", deixei o panfleto no chão e fiz uma nota mental: Não andar de noite nos corredores.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, meu sossego acabou quando o cara-raio e sua "gangue" vieram próximos de mim, me cercando.
-Quem é você? Nunca o vimos antes aqui. Por acaso é um dos caras privilegiados? - Disse um menino branco de cabelos alaranjados, que aparentava ter uma idade menor que a minha, mas falava com grande confiança.
De forma sábia e que eu previa qur iria acontecer caso me fizessem perguntas, respondi:
-Hã?
O cara-raio empurrou-o ao lado e se aproximou demais de mim, ficando ao meu lado e colocando seu braço  (a propósito, ele tinha bastante músculos para aquela aparência infantil, não que eu não fosse uma criança também) envolta do meu pescoço, quase me sufocando.
-O que meu amigo quis dizer foi se você têm algum dôm especial, por acaso não, né? - Falou o cara-raio de um jeito amigável, mas sua expressãono rosto não era a mesma.
-N-não, absolutamente nenhum - Gaguejei de propósito, para não me acharem mal-caráter (não contém para ele, mas era por quê eu estava com medo).
-Ainda bem - Ele me analisou de pé à cabeça - Acho melhor tentar entrar em outro grupinho, nós não vamos aceitar qualquer fracote - Ele me soltou e foi donde vieram, com sua ganguezinha atrás dele, seguindo-o.
Pensei em segui-lo e falar algumas coisas, mas o zelador do andar de cima no corrimão da escada à esquerda nos chamou para nossos dormitórios, e o seguimos.

Criado por Sr.B

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